Policiais civis recebiam R$ 800 mil ''por ciclo'' para acobertar ''Máfia do Cigarro''

Seis investigadores e um perito faziam parte do esquema, segundo investigação da PF

Campo Grande News


Os policiais civis alvos de Mato Grosso do Sul alvos de operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (28) por integrar a Máfia do Cigarro recebiam “por ciclo”, R$ 800 mil em propina, para facilitar a passagem de cargas de produto ilegal, contrabandeado do Paraguai. Só no ano de 2017, a quadrilha movimentou R$ 1 bilhão, indicaram as investigações, com a passagem de 1,2 mil carretas pela região do Cone-Sul, onde atuavam os agentes de segurança.

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São seis investigadores de polícia judiciário e um perito papiloscopista. Eles já foram afastados da Corporação e serão alvos de processo administrativo. Tiveram as armas e os distintivos apreendidos.

Conforme o trabalho investigatório, os sete davam apoio ao “quarteto” de chefes cigarreiros da região, Angelo Guimarães Balerini, Valdenir Pereira dos Santos, presos em unidades prisionais federais, Fabio Costam, o “Pingo”, e Carlos Alexandre Gouveia, esses dois últimos foragidos, supostamente no Paraguai. Todos são alvos das investigações da Operação Nepsis da Polícia Federal.

“Pingo”, inclusive, faz parte da lista dos bandidos mais procurados do Ministério da Justiça.

Agora a Polícia Civil

É uma das primeiras ações de grande porte, nos últimos anos, que inclui policiais civis entre os funcionários públicos que dão guarida ao contrabando de cigarros. Já houve investigações contra policiais militares e policiais rodoviários federais. O produto sai do Paraguai, passa pela fronteira com Mato Grosso do Sul e é distribuído no restante do País.

Durante coletiva nesta manhã, os delegados Antonio Carlos Kinollo de Carvalho, chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, Alex Sandro Biegas, delegado regional executivo da PF no Estado, deram o panorama das investigações.

“Garantiam o escoamento de cigarros, que era por ciclos, e esse valor era repassado e eles distribuíam”, simplificou o delegado Biegas sobre a atuação dos integrantes da força de segurança.

De acordo com o delegado, documento acessado pela investigação tem 267 citações a policiais, entre civis e militares. Os mais citados da Polícia Civil são os alvos da operação de hoje, que cumpriu 11 mandados de busca e apreensão.

Conforme a explicação do delegado Biegas, o recebimento da propina era por "ciclo", cujo período não é preciso.  Segundo ele, quando havia mais "necessidade", os bandidos acionavam a proteção dos policiais civis. Não foi detalhado como eles faziam isso em sua área de atuação, que é a investigação policial e não a repressão a crimes, diretamente nas ruas.

As ações de hoje foram em residências dos policiais e também nos locais de trabalho, apreendendo, por exemplo, listas em papel e em fotos de celulares.  Dos alvos, dois aposentados e o restante da ativa. Nenhum nome foi divulgado.

O delegado-geral da Polícia Civil Marcelo Vargas, e o corregedor-geral Márcio Custódio acompanharam a coletiva. Vargas comentou o afastamento dos servidores e disse que a Polícia Civil atuou dando suporte à PF na investigação.

Onde 

Equipe formada por 60 policiais cumpre mandados em Amambai, Iguatemi, Itaquiraí, Naviraí e Ponta Porã, todos expedidos pela 2ª Vara Federal de Ponta Porã.

Hoje, foi realizada a 4ª fase da Operação Nepis, denominada “Arithmoi”, o que significa “números” em grego. O termo remete à contabilização de vantagens indevidas encontradas nas listas de pagamento.

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