Louis levantou-se da cama, o relógio apontava duas horas da manhã. Ajuntou suas roupas e as vestiu. Lá fora a noite cobria toda a cidade, as únicas luzes acessas eram as da iluminação pública, e da torre Eiffel. Louis encaminhou-se para a sacada, puxou um cigarro do maço e pôs-se a fumar, enquanto observava a bela vista parisiense. Do alto do hotel luxuoso, ele viu alguns boêmios rodando as margens do rio Sena. Enquanto seu cigarro ia chegando ao filtro, Louis refletiu sua situação; na cama uma jovem italiana atraente dormitava, em um sono profundo, sem pesadelos, e o som da sua lenta respiração. Antonella era o nome da moça de 26 anos que estava entregue a bons sonhos.
Louis contemplou a mulher, tão linda e inocente, apaixonada por ele. O homem jogou o resto do cigarro e colocou-se a escrever uma pequena carta. Depois de tê-la escrito, depositou sobre a escrivaninha, beijou Antonella ternamente e sussurrou antes de sair do quarto:
— Durma bem, mon amour.
Cedinho, quando o sol punha-se a aparecer, quando o pulsar da Cidade Luz tornara-se evidente, Antonella foi despertando sua consciência, apalpou a outra extremidade da sua cama e não sentiu Louis ali, abriu apressadamente os olhos, percorreu o amplo cômodo e pôs-se a chamá-lo no seu sotaque italiano.
— Mio caro!
Depois de muito percorrer o imenso quarto do hotel, encontrou a missiva sobre a pequena mesa, sentou-se novamente na cama, ainda seminua, e leu as letras apressadas no papel:
Ma chérie,
Não sei como principiar esta carta, talvez não conseguirei expressar por completo meus verdadeiros sentimentos. Acredito que ambos sabíamos que chegaríamos ao adeus, e que este não tardaria. Nunca a iludi sobre quem sou, fui sincero com você, o mais sincero que fui durante toda minha vida. Não espero que me perdoe por eu ser demasiado efusivo, e um covarde diante do amor. Desde que a conheci, senti em mim um amor que fui incapaz de controlar, foi um furacão para mim e não pude evitar o estrago que faço em ti. Você é linda, chérie, completa e dona de si. Eu sou fragmentado, incapaz de me envolver e ser feliz. Prometo não a procurar, mesmo que isso destrua-me. Prometo também que a guardarei no meu coração francês, e quem sabe algum dia, quando eu tiver forças para tal, eu tente rumar minha vida para algo semelhante à felicidade. Enquanto esse dia não chega, vagarei adiante, com a solidão como companheira, e um copo de uísque na mão, tentando aplacar meu desespero perante a vida.
Com apreço,
Louis.
Antonella se desfez em lágrimas, algumas gotas escorrendo pelo papel; enquanto seu coração lutava para manter-se inteiro, diante dos estilhaços que a desilusão lançava contra ele.
*Estudante de contabilidade e morador de Nova Andradina
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova
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