PF faz operação para prender 31 suspeitos de vender 43 mil armas a facções brasileiras

Mandados são cumpridos no Brasil, no Paraguai e nos EUA. Grupo movimentou R$ 1,2 bilhão

Da Redação


A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (5), a “Operação Dakovo” contra um grupo suspeito de entregar 43 mil armas para os chefes das maiores facções do país — Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho —, movimentando R$ 1,2 bilhão.

São cumpridos 25 mandados de prisão preventiva, seis de prisão temporária e 52 mandados de busca e apreensão em três países: Brasil, Estados Unidos e Paraguai — onde está o principal alvo da operação, Diego Hernan Dirísio, que ainda não foi encontrado.

Dirísio é considerado pela PF o maior contrabandista de armas da América do Sul.

 Diego Hernan Dirísio é o principal alvo da operação, que está no Paraguai, mas ainda não foi localizado - Foto: Investigação internacional

Até o momento cinco envolvidos no crime foram presos no Brasil e 11 no Paraguai.

Investigações

As investigações em curso no Grupo de Investigações Sensíveis da Polícia Federal na Bahia – GISE/SR/PF/BA - permitiram desvendar uma complexa e multimilionária engrenagem de tráfico ilícito de armas de fogo da Europa para a América do Sul. Uma empresa sediada em Assunção, no Paraguai, foi responsável pela importação de milhares de pistolas, fuzis e munições de vários fabricantes europeus sediados na Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia.

 Maior contrabandista de armas da América do Sul - Foto: Investigação internacional

As armas eram importadas da Europa para o Paraguai, onde eram raspadas e revendidas a grupos de intermediários que atuavam na fronteira do Brasil com Paraguai, para serem revendidas às principais facções criminosas do Brasil.  

Estima-se que desde o início das investigações, a empresa investigada importou cerca de 43 mil armas para o Paraguai movimentando em três anos cerca de R$ 1,2 bilhão. Neste período foram realizadas 67 apreensões que totalizam 659 armas apreendidas no território brasileiro, apreensões estas realizadas em 10 Estados da federação: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Ceará.

A operação foi realizada pela Polícia Federal no Estado da Bahia, em parceria com Ministério Público Federal e cooperação internacional com a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai) com o Ministério Público do Paraguai. A ação contou ainda com a FICTA (Força-Tarefa Internacional de Combate ao Tráfico de Armas e Munições), que é composta pela HSI (Homeland Security Investigations), SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) sob Supervisão do Serviço de Repressão ao Tráfico de Armas da PF.

 A investigação começou em 2020, quando pistolas e munições foram apreendidas no interior da Bahia - Foto: Polícia Federal/Divulgação

O processo está em curso na 2º Vara Federal de Salvador (BA), a qual expediu 25 mandados de prisões preventivas, seis ordens de prisão temporária e 54 mandados de busca e apreensão em três países, Brasil, Paraguai e Estados Unidos.

No Brasil, os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Sorocaba (SP), Praia Grande (SP), São Bernardo do Campo (SP), Ponta Grossa (PR), Foz do Iguaçu (PR), Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG).

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