Artesanato de Mato Grosso do Sul conquista mercados e se afirma como patrimônio cultural e econômico

Artesanato retrata Mato Grosso do Sul e, consequentemente, toda a diversidade cultural e étnica que compõem a formação histórica e social dos sul-mato-grossenses

Luis Gustavo, Da Redação*


Com originalidade, identidade regional e forte conexão com saberes tradicionais, o artesanato de Mato Grosso do Sul vem conquistando visibilidade, movimentando a economia e se consolidando como um dos pilares do mercado criativo do Estado. Cada peça produzida reflete não apenas a técnica, mas também a história e a memória de um povo que encontra na arte um instrumento de transformação social.

 

Atualmente, mais de 8 mil artesãos estão oficialmente cadastrados, atuando em tipologias como argila, cerâmica, madeira, fibras, tecelagem, pintura e escultura. Cerca de 4 mil deles fornecem suas produções diretamente para a Casa do Artesão de Campo Grande, vitrine da cultura local.

 

Entre os nomes de destaque está a mestra artesã Jane Clara Arguello, de Corumbá. Designer, artista plástica e ceramista, ela atua desde 1991 e tornou-se referência na cerâmica artística do Estado. “Cada peça que produzo carrega uma história. É arte, é memória, e também é ferramenta de transformação”, afirma.

 

Outra trajetória inspiradora é a da tecelã Josefa Marques Mazarão, de Caarapó, que encontrou no tear um caminho para repassar saberes e garantir renda a dezenas de mulheres. Já em Miranda, a ceramista Terena Rosenir Batista mantém viva a tradição aprendida com a avó, transformando argila em obras que já chegaram a grandes marcas e museus nacionais.

 

O setor tem recebido apoio direto do Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura (FCMS) e da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc). Só em 2024, ações de incentivo movimentaram mais de R$ 4 milhões, resultado de feiras, rodadas de negócios e vendas institucionais. Em apenas uma feira, o volume comercializado pode ultrapassar R$ 300 mil.

 

A abertura de mercados e a qualificação técnica também têm ampliado o alcance das peças. Parcerias com entidades como a Apex-Brasil levaram artesãos sul-mato-grossenses a feiras internacionais, como na Colômbia, além de atrair compradores da China, Emirados Árabes e Europa. Apesar disso, ainda há desafios quanto à valorização no mercado interno, onde peças similares chegam a ser vendidas por até cinco vezes o valor praticado localmente.

 

Além do impacto econômico, o artesanato tem cumprido papel fundamental de inclusão social e fortalecimento cultural. Oficinas, cursos e associações ajudam a transformar a vida de mulheres, indígenas, idosos e jovens em situação de vulnerabilidade. Iniciativas inovadoras, como a startup Bruaca, também têm aproximado artesãos de consumidores conscientes, conectando tradição e sustentabilidade.

 

Com o projeto Artesania/MS, em vigor desde 2007, o Estado investe na profissionalização dos trabalhadores do setor, fomentando feiras, rodadas de negócios e a manutenção de Casas do Artesão em diversas cidades.

 

Mais do que um segmento produtivo, o artesanato sul-mato-grossense é expressão de pertencimento e identidade. Em cada objeto moldado, tecido ou pintado, vive a memória coletiva e o espírito criativo de um povo.

 

Ao conquistar espaços no Brasil e no exterior, os artesãos do Estado demonstram que cultura, economia e inclusão social podem caminhar juntas, reforçando a imagem de Mato Grosso do Sul como referência em diversidade e autenticidade artesanal.

 

*Com informações do Governo de MS.

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