Celulares podem estar por trás da queda nas relações sexuais e na gravidez, aponta estudo

Pesquisa nos Estados Unidos sugere que a popularização dos smartphones reduziu interações presenciais e contribuiu para a queda das taxas de natalidade, mas especialistas alertam que o fenômeno tem múltiplas causas

Luis Gustavo, Da Redação*


Um estudo divulgado nos Estados Unidos aponta que a popularização dos smartphones pode ter contribuído significativamente para a redução das taxas de fertilidade e da frequência das relações sexuais, especialmente entre os mais jovens. A pesquisa analisou a expansão inicial do iPhone e da internet móvel entre 2007 e 2011 e identificou quedas mais acentuadas na natalidade em regiões que tiveram acesso mais rápido à tecnologia. 

 

Os pesquisadores estimam que a disseminação precoce dos smartphones pode ter sido responsável por algo entre um terço e metade da redução da taxa de fertilidade observada no período estudado. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a queda da natalidade chegou a 26% em áreas com amplo acesso aos aparelhos, contra 14% em locais onde a cobertura era limitada. 

 

Segundo os autores, os celulares passaram a ocupar parte do tempo antes dedicado à convivência presencial. A hipótese é que interações digitais, redes sociais, entretenimento online e até o consumo de pornografia tenham reduzido oportunidades de encontros físicos e relacionamentos que poderiam resultar em gravidez. 

 

Apesar dos resultados, especialistas ouvidos pela pesquisa alertam que o declínio da fertilidade é um fenômeno complexo e anterior ao surgimento dos smartphones. Fatores como aumento do custo de vida, moradia, educação, mudanças nas normas sociais, maior acesso a métodos contraceptivos e o adiamento do casamento também desempenham papel importante. 

 

Pesquisadores destacam ainda que a queda da gravidez na adolescência já vinha sendo observada décadas antes do lançamento do primeiro iPhone. Além disso, o período analisado coincidiu com a ampliação do acesso a contraceptivos mais eficazes, o que pode ter contribuído diretamente para a redução de gestações não planejadas. 

 

Outros estudos também associam o uso excessivo de celulares a impactos na saúde reprodutiva. Uma pesquisa da Universidade de Genebra identificou que homens que utilizavam o celular mais de 20 vezes por dia apresentavam maior risco de ter baixa concentração de espermatozoides em comparação com aqueles que usavam menos o aparelho. 

 

Embora a influência dos smartphones sobre relacionamentos e fertilidade seja cada vez mais estudada, os especialistas concordam que não existe uma única explicação para a redução das taxas de natalidade observada em diversos países nas últimas décadas. *Com informações da CNN.

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