Ministério Público investiga vazamentos de esgoto e possível dano ambiental em Batayporã

Inquérito civil apura descarte irregular de efluentes no prolongamento da Avenida Antônia Espinosa Mustafá e busca responsabilizar envolvidos pelos impactos à população e ao meio ambiente

Da Redação


O descarte irregular de esgoto no prolongamento da Avenida Antônia Espinosa Mustafá, em Batayporã, passou a ser alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A Promotoria de Justiça do município instaurou um inquérito civil para apurar o lançamento contínuo de efluentes sem tratamento no solo e na via pública, além de verificar a atuação dos órgãos responsáveis pela gestão e fiscalização do serviço.

Segundo a promotora de Justiça Vitoria de Fatima Herechuk, denúncias encaminhadas à Ouvidoria do MPMS relataram vazamentos frequentes nas proximidades da estação de tratamento de esgoto. Os relatos apontam que os dejetos estariam escoando a céu aberto, provocando forte odor e avançando por áreas urbanas e rurais.

As informações reunidas durante a investigação preliminar indicam que o problema não se trata de um episódio isolado. Moradores da região afirmam que os transbordamentos ocorrem de forma recorrente, atingindo propriedades particulares, áreas de pastagem e até reservatórios de água utilizados em atividades rurais.

Vazamentos de esgoto a céu aberto motivaram a abertura de inquérito civil pelo Ministério Público em Batayporã - Foto: MPE-MS

A gravidade da situação também foi confirmada por órgãos ambientais durante fiscalizações realizadas no local. Em uma das inspeções, foi constatado o vazamento de esgoto in natura em um trecho da rede, com líquidos e sedimentos se espalhando por aproximadamente 500 metros. Diante da irregularidade, a concessionária responsável pela operação foi autuada administrativamente e recebeu multa por poluição do solo.

Além dos impactos ambientais, a situação tem afetado diretamente a qualidade de vida dos moradores. As denúncias relatam a presença constante de odor intenso, desconforto respiratório e prejuízos a atividades rurais, especialmente na criação de animais. Também há preocupação com possíveis riscos à saúde pública em razão do contato com resíduos sem tratamento adequado.

O inquérito instaurado pelo MPMS busca apurar não apenas as falhas operacionais da rede de esgoto, mas também a atuação dos responsáveis pela gestão e fiscalização do sistema. Entre as hipóteses analisadas estão problemas estruturais na rede e falhas no funcionamento de equipamentos, fatores que podem estar contribuindo para os constantes transbordamentos.

Com a investigação, o Ministério Público pretende elaborar um diagnóstico completo da situação e garantir a adoção de medidas efetivas para solucionar o problema. Entre os encaminhamentos possíveis estão a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com definição de prazos e obrigações para correção das irregularidades, ou o ajuizamento de uma ação civil pública visando a responsabilização dos envolvidos e a reparação dos danos ambientais e coletivos causados.

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